Cultura, política e identidade: Frantz Fanon e o Movimento de Negritude

CURSO MINISTRADO POR: Deivison Mendes Faustino

VAGAS: 28

CARGA HORÁRIA: 8h

DIAS DO CURSO: 05, 12, 19 e 26/09/2019 - das 20h às 22h

 

O curso irá apresentar as reflexões de Frantz Fanon a respeito do movimento de Négritude, problematizando as proximidades e diferenças do autor com essa vertente teórica em relação ao trato dos temas cultura, política e identidade.

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R$ 350,00

Ementa do Curso

O curso pretende apresentar as reflexões de Frantz Fanon a respeito do movimento de Négritude, surgido no universo intelectual afro-diaspórico de língua francesa a partir da terceira década do século XX. Os encontros, mediados à leituras prévia de textos escritos por Fanon, oferecerão um espaço de troca e aprofundamento de conteúdos que permitam não apenas a compreensão a respeito da teoria fanoniana mas, sobretudo, a possibilidade diálogo entre essa teoria e algumas grandes questões do nosso tempo, como a relação entre cultura, política e identidade.

Justificativa

Como psiquiatra, filósofo, cientista social e revolucionário, Frantz Fanon é sem dúvida um dos pensadores negros mais importantes do século XX. Sua obra influenciou diversos movimentos políticos e teóricos na África e Diáspora Africana e segue reverberando em nossos dias como referência obrigatória nos os estudos culturais e pós-coloniais. Sua trajetória política e teórica impressiona pela grandiosidade de seus feitos e o seu curto espaço de vida. Nasce em Forte de France, Martinica, em 1925, no seio de uma família de classe média e patriota. Em 1944 se alista no exercito francês para lutar contra os alemães na segunda guerra mundial e posteriormente segue para Lyon para estudar medicina e psiquiatria. Neste período foi estudante ativo envolvido com a publicação periódica de um jornal mimeografado. Em 1950 Frantz Fanon escreve o texto que seria a sua tese de douturado em psiquiatria: Peau noire, masques blancs (Peles Negras, Máscaras Brancas), mas a tese, por confrontar as correntes hegemônicas, foi recusada pela comissão julgadora o obrigando a escrever outra tese no ano seguinte em Lyon com o título de Troubles mentaux et syndromes psychiatriques dans l’hérédp-dégénération-spino-cérébelleuse – Um cas de maladie de Friereich avec délire de possession (Problemas mentais e síndromes psiquiátricas em degeneração espinocerebelar hereditária – Um caso de doença de Friereich com delírio de posse). Em 1952 participa de diversos debates universitários e seminários em que se confronta ou converge com os pensadores franceses da época. Neste mesmo ano publica uma série de ensaios sobre a situação do negro na França, escreve um drama sobre os trabalhadores de Lyon (Les Mains parallèles) e publica o texto da sua primeira tese rejeitada: Peau noir, masques blancs (Peles negras, máscaras brancas), livro que marcaria a história dos estudos o racismo. Neste livro o autor discute os impactos do racismo e do colonialismo na psique (de colonizadores e colonizados) e mostra o quanto as alienações coloniais são incorporadas pelos colonizados, mesmo no contexto de elaboração do protesto negro.

O ano seguinte é marcado por um casamento e a sua mudança para a Argélia a fim de estudar mais profundamente os problemas enfrentados pelos imigrantes africanos na França. Segundo Oto (2003) estes momento foi fundamental para Fanon compreender os impactos do colonialismo na estrutura psíquica humana: Ao tentar ampliar suas percepções sobre o problema dos pacientes em territórios coloniais, vinculando as enfermidades ao colonialismo, Fanon aceita neste mesmo ano o contrato com o Hospital Blida-Joinville na Argélia. Durante sua residência neste local os resultados de suas investigações o convenceram das dimensões assumiam o regime colonial e como este regime desarticula a estrutura psíquica das pessoas (Oto 2003:219).

O ano seguinte foi marcante para o autor ao assistir o nascimento da revolução argelina e a violenta repressão francesa. É neste contexto que Fanon renuncia ao seu cargo no Hospital psiquiátrico para se filiar à Frente de libertação Nacional – FLN (Front de Liberation Nationale) onde contribuirá ativamente como escritor do jornal El Moudjahid, em Túnez. Os anos seguintes foram marcados por intensa agitação política e participação nos fóruns internacionais dos movimentos de libertação no continente africano. Em 1959 publica L’an V de la Révolution Algérienne, sem publicação em português, e em 1961 se encontra com J. P. Sartre e S. Beauvoir. Neste mesmo ano, após escrever Les dammés de la terre, o ápice de sua atividade política e intelectual seria interrompido por um problema de saúde que levaria a morte. Boa parte dos textos escritos por Fanon no jornal El Moudjahid foram reunidos por sua esposa e publicados postumamente no livro Pour la révolution africanie (1964), publicado em Portugal apenas em 1980 com o título Em defesa da revolução Africana. Apesar de sua importância para a compreensão das relações raciais contemporâneas, 50 anos depois de sua morte, a obra de Frantz Fanon ainda é pouco estudada no Brasil. Espera-se com esta atividade despertar o interesse da comunidade acadêmica como um todo para a discussão dos elementos apresentados pelo autor.

Encontro I – A cultura e a políticas do movimento de Negritude
Apresentar os aspectos estéticos, teóricos e políticos do movimento de Negritude
Leitura recomendada: Guimarães, A. S. A modernidade Negra. In: Intelectuais negros e modernidade no Brasil (2002). (pp. 01-29) Disponível em: http://www.fflch.usp.br/sociologia/asag/Intelectuais%20negros%20e%20modernidad e%20no%20Brasil.pdf

Encontro II – O Colonialismo e o Duplo Narcisismo
Apresentar o aspectos gerais da teoria fanoniana, enfatizando as noções de Colonialismo e duplo narcisismo.
Leitura recomendada: Fanon, F. “Experiência vivida do negro”, in: Pele negra, máscaras brancas (2008. pp 103- 126) (http://kilombagem.org/wordpress/wpcontent/uploads/2015/07/Pele_negra_mascaras_brancas-Frantz-Fanon.pdf)

Encontro III – Racismo, cultura e identidade: o caso do véu
Apresentar a noção fanoniana de cultura e problematizar a sua relação com a política no contexto de luta antirracista.
Leitura recomendada: Fanon, F. “Racismo e cultura”. in: Em defesa da revolução africana (FANON, 1969. pp 34-48) (http://kilombagem.org/wordpress/wpcontent/uploads/2015/07/racismo-e-cultura_Frantz-Fanon.pdf) – Transcrição da conferência do autor ao I Congresso de Artistas e Escritores Negros, Paris, 1956 e “A Argélia se desvela”. In: Três ensaios sobre a Argélia e um comentário (FANON, 1995) (http://kilombagem.org/wordpress/wp-content/uploads/2016/02/FANON-A-Argéliase-desvela-KILOMBAGEM.pdf)

Encontro IV – Consciência Nacional X Nacionalismo.
Apresentar a noção fanoniana de identidade e problematizar a atualidade de sua posição para a compreensão dos movimentos políticos e culturais contemporâneos
Leitura recomendada: Fanon, F. Desventuras da consciência nacional. In: Os condenados da terra. Pp. 121-168. Disponível em: http://kilombagem.org/wordpress/wpcontent/uploads/2015/07/Os_condenados_da_Terra-Frantz-Fanon.pdf

Publicações do Professor sobre o tema do curso:
Tese de doutorado sobre o pensamento de Fanon e os fanonismos: http://kilombagem.org/tese-de-doutorado-fanon-e-os-fanonismos-no-brasil-deivisonnkosi-faustino/
Textos diversos sobre Fanon: http://kilombagem.org/nonagesimo-aniversario-defanon-2/
Texto sobre racismo e o colonialismo http://kilombagem.org/wordpress/wpcontent/uploads/2015/07/DEIVISON-NKOSI-FAUSTINO-FANON-COLONIALISMO-ELUTA-DE-CLASSES.pdf
Texto sobre a consciência política e social em Frantz Fanon http://revistas.pucsp.br/index.php/ls/article/view/25764
Texto sobre a ausência de representações que associem o Negro/Africano à tecnologia https://periodicos.utfpr.edu.br/rts/article/view/2629

Bibliografia de apoio

Bhabha, Homi “A Question of Survival: Nations and Psychic States”, en J. Donald (ed.), Psychoanalysis and Cultural Theory: Thresholds, Londres, Macmillan/ICA, (1991), pp. 89-103. ________.“Articulating the Archaic: Cultural Difference and Colonial Nonsense”, en Homi Bhabha, The Location of Culture, Londres- Nueva York, Routledge, (1994), pp. 123-138. Proposta para Revista Cult Deivison Mendes Faustino – 03/06/2019
________. “Interrogating Identity. Frantz Fanon and the Postcolonial Prerogative”, en Homi Bhabha, The Location of Culture, Londres- Nueva York, Routledge, (1994), pp. 465. BIKO. E., Escrevo o que eu quero: uma Seleção dos principais textos do líder negro Esteve Biko. Trad. Grupo São Domingos. São Paulo: Ática, 1990. 184pg BUONICORE, Augusto C., Reflexões sobre o marxismo e questão racial. Revista espaço acadêmico,nº 51, ano V, agosto de 2005. disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/051/51buonicore.htm . acesso em 10 de outubro de 2002 CABAÇO,José Luís e Chaves, Rita de Cássia Natal.“Frantz Fanon: colonialismo, violência e identidade cultural”. In: Abdala Júnior, Benjamin. Margens da cultura: mestiçagem, hibridismo & outras misturas. São Paulo: Boitempo, 2004, pp.67-86. CÉSAIRE, A. discurso sobre o colonialismo. Porto. Cadernos para o diálogo/2 – 1971. CHASIN, J. Marx: Estatuto ontológico e resolução metodológica/ São Paulo: Boitempo, 2009. CLEAVER. E. Alma no exílio: Autobiografia espiritual e intelectual de um líder negro norte americano. Trad. Antonio Edgatdo S. da Costa Reis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971. 197pags CUNHA. Olívia Maria Gomes da,. Reflexões sobre biopoder e pós-colonialismo: relendo Fanon e Foucault. MANA 8(1):149-163, 2002 EVANGELISTA, J. E. Crise do Marxismo e Irracionalismo Pós-Moderno. Coleção Questões da Nossa Época; v.7. 3. ed. – São Paulo, Cortez,2002. FANON, F. os condenados da terra. Juiz de fora: Ed. UFJF, 2005. (coleção cultura, v.2)
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_________. Existencialismo ou Marxismo? São Paulo: Livraria Editora. Ciências Humanas, 1979. _________ – El asalto a la razon . Barcelona-México, Grijalbo, 1968
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_________. O marxismo e a questão racial: Karl Marx e Friederic engles frente ao racismo e à escravidão – belo Horizonte. Nanyala. Cenafro, 2010 (coleção repensando África. Volume 50 N’KRUMAH, K. Neocolonialismo – Ultimo estágio do imperialismo, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967 NASCIMENTO. E. L. Sankofa: matrizes africanas da cultura brasileira. Nascimento. E. l. (Org.). – Rio de Janeiro: Ed UERJ. 1996
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____________ Cultura Brasileira e Identidade Nacional. 5º ed. São Paulo: Brasiliense, 2008. 148 p. OTO, Alejandro José de. Frantz Fanon : política y poética delsujetoposcolonial / Alejandro J. de Oto. – – México : El Colegio de México, Centro de Estudios de Asia y África, 2003. 232 p. SCOTT, David.. Refashioning Futures — Criticism after Postcoloniality. Princeton: Princeton University Press. 1999 VIANA, K.N., SACRAMENTO, S.M.P. Trilhando o percurso da construção nacional…Revista Anagrama: Revista Científica Interdisciplinar da Graduação Ano 3 – Edição 3 – Março-Maio de 2010 WILLIAMS. E. Capitalismo e Escravidão. Rio de Janeiro: Americana, 1975 Zahar, Renate. “Frantz Fanon: colonialism and alienation”. Monthly Review Press, Nova York, 1974.

Ministrado por

Deivison Mendes Faustino

Graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Santo André (2005); Mestre em Ciências da Saúde/ Epidemiologia pela Faculdade de Medicina do ABC (2010) e Doutor em Sociologia pelo Programa de Pös-Graduação em Sociologia da UFSCAR (2015). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de São Paulo – Campus Baixada Santista e integrante do grupo de … Continue lendo “Deivison Mendes Faustino”

Aulas

AULA 1
Data: 05/09/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 2
Data: 12/09/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 3
Data: 19/09/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 3
Data: 26/09/2019
Horário: das 20h às 22h